A revista para autores
Capítulo I: Ofício e prática
Da primeira frase ao manuscrito pronto: ferramentas, hábitos e a forma em que um texto chega à mesa de uma editora.
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Capítulo II: Dramaturgia e personagens
O que sustenta uma história: tensão, pontos de viragem e personagens cujos desejos movem o enredo.
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- Como construir o enredo de um romance: métodos comprovados, lado a ladoEstrutura em três atos, jornada do herói, método do floco de neve, Save the Cat ou fichas de cena: o que cada método oferece, a quem serve e quanto planeamento um romance precisa realmente.6 min de leitura
- Ficha de personagem: como construir personagens com profundidadeUma boa ficha de personagem não é uma lista de cores de olhos e pratos preferidos. É uma ferramenta que gera história. O que deve conter, como se ligam desejo, ferida e necessidade, e como usar a ficha enquanto escreve.6 min de leitura
- O que é o enredo? A planta de construção de uma históriaO enredo não é apenas aquilo que acontece. Liga os acontecimentos por causa e efeito, move-os pelo conflito e organiza-os numa curva de tensão. De que é feito um enredo e como verificar se o seu se aguenta de pé.6 min de leitura
Capítulo III: Mundos literários
As leis de cada género, do thriller ao livro infantil, e quando vale a pena quebrá-las de propósito.
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- Policial ou thriller: qual é a diferença?Partilham muitas vezes a mesma estante, mas o policial e o thriller criam tensão de maneiras diferentes: um com um enigma, o outro com uma ameaça. Como os dois géneros diferem na estrutura, no ponto de vista e no ritmo, e que subgéneros pertencem a cada um.6 min de leitura
- Géneros literários: um panorama para autoras e autoresDo romance de amor à ficção científica, do policial ao romantasy: os grandes géneros da ficção e os seus subgéneros, a diferença entre género e público, e porque é que a classificação certa pesa tanto junto da editora, da livraria e das lojas online.6 min de leitura
- Como escrever dark romance: convenções, expectativas dos leitores e ofício responsávelO dark romance junta uma história de amor a temas sombrios, personagens moralmente ambíguas e momentos deliberadamente perturbadores. O que define o subgénero, o que esperam os leitores e como tratar com cuidado os avisos de conteúdo, o enquadramento e as regras das plataformas.7 min de leitura
Capítulo IV: Estética do livro e paginação
Mancha gráfica, tipografia e capa: o que torna um livro valioso nas mãos antes de se ler a primeira linha.
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- Como criar a capa de um livro: género, tipografia e ficheiros de impressãoA capa decide se alguém chega sequer a clicar no seu livro. Como enviar os sinais de género certos, manter o título legível em miniatura, preparar corretamente as capas de e-book e de impressão e não tropeçar nos direitos de imagem.7 min de leitura
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Capítulo V: O caminho até ao leitor
Sinopse, editora ou autopublicação: os caminhos do manuscrito ao livro e o que cada um exige.
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- Como publicar um livro: os caminhos do manuscrito até à livrariaEditora, pequena editora independente, autopublicação ou serviço pago: cada caminho até ao livro publicado tem as suas vantagens, custos e prazos. Um panorama sóbrio para escolher o que serve o seu manuscrito e reconhecer as ofertas que lhe custam sem o servir.7 min de leitura
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Como escrever uma sinopse (e o resto do envio à editora)
Com a carta de apresentação, a sinopse e o manuscrito ou uma amostra, a editora decide se vale a pena ler o seu romance com atenção. O que entra em cada peça, que extensão pedem as editoras portuguesas e os erros que levam a uma recusa rápida.
6 min de leitura · Atualizado em 23 de setembro de 2026Em Portugal, a maioria dos romancistas envia o livro diretamente às editoras; os agentes literários existem, mas são poucos. Cada editora define as suas normas de envio, e quase todas pedem três peças: uma carta de apresentação, uma sinopse e o manuscrito, completo ou em amostra. Cada peça responde a uma pergunta diferente. A carta diz se a premissa agarra, a sinopse se a história funciona, e as páginas se sabe escrever.
Muitos autores acham a sinopse mais difícil do que o próprio romance, e compreende-se: algumas centenas de páginas têm de caber numa página ou menos. Com uma estrutura clara, a tarefa é bem mais fácil do que parece.
Para que serve uma sinopse
Uma sinopse não é texto publicitário nem o texto da contracapa. É um documento de trabalho para profissionais que precisam de saber se o enredo se aguenta e se o livro cabe no seu catálogo. Por isso revela o final. Um editor quer ver que a história chega a bom porto, não ficar em suspense.
Como estruturar a sinopse
Não há um formato obrigatório, mas há uma forma que os editores reconhecem. Acompanhe a personagem principal ao longo da história, pela ordem, e deixe que a causa e o efeito levem o leitor de uma viragem à seguinte.
| Parte | O que cobre |
|---|---|
| Abertura | A protagonista, o seu mundo e o que quer quando a história começa |
| Incidente desencadeador | O acontecimento que põe o enredo em marcha |
| Tensão crescente | As viragens e escolhas principais, cada uma causada pela anterior |
| Crise e clímax | O momento mais sombrio e o confronto decisivo |
| Desfecho | Como acaba e como a protagonista mudou |
Escreva no presente e na terceira pessoa, mesmo que o romance esteja no passado ou na primeira pessoa. Limite-se ao enredo principal e às personagens que o fazem avançar; um subenredo só entra se contar para o final.
Se o próprio enredo ainda lhe parecer frágil, ajuda dar um passo atrás e rever o que é o enredo e como funciona. Escrever uma sinopse expõe as fraquezas, e é por isso que alguns autores a redigem durante a revisão.
Que extensão deve ter uma sinopse?
As editoras portuguesas pedem, muitas vezes, sinopses curtas. A Penguin Livros, por exemplo, pede uma sinopse de até 300 palavras; o regulamento do Prémio LeYa fixa um máximo de 2.000 caracteres, incluindo espaços. Outras não indicam limite, e aí uma página chega. Siga sempre as normas da editora a que se dirige: se indicam uma extensão, cumpra-a à letra. Uma sinopse curta e clara transmite mais segurança do que uma longa que reconta cada cena.
- Demasiado longa: cada capítulo resumido, personagens secundárias com parágrafo próprio.
- Demasiado vaga: «No fim, ela tem de fazer uma escolha», sem dizer qual.
- Demasiado vendedora: superlativos, perguntas retóricas, comparações com êxitos mundiais.
- Na medida certa: causa e efeito estão claros, e cada personagem com nome tem uma função.
A carta de apresentação
A carta de apresentação, que hoje é quase sempre o corpo do e-mail, é a primeira coisa que o editor lê e deve caber numa página. Apresenta o livro, apresenta-o a si e diz porque escolheu esta editora em particular: uma coleção, um autor do catálogo, uma linha editorial.
- Uma saudação sóbria, com o nome do editor ou da editora se o souber
- Um gancho: uma ou duas frases que captem a premissa
- Um parágrafo breve sobre a história: protagonista, objetivo, obstáculo, o que está em jogo, sem o final
- Título, género, extensão e, se fizer sentido, um ou dois títulos recentes comparáveis
- Uma nota biográfica curta: publicações, prémios ou conhecimentos relevantes, se os tiver
- Uma despedida cordial, com a lista do que segue em anexo
O manuscrito ou a amostra
As páginas mostram se sabe escrever. Várias editoras portuguesas só avaliam manuscritos completos; outras aceitam uma amostra, como as primeiras 1.000 palavras que a Penguin Livros admite em alternativa ao texto integral. Uma amostra começa sempre no início do livro, nunca na sua cena preferida. Salvo indicação em contrário, apresente-a no formato habitual de manuscrito.
Erros comuns e como evitá-los
A maior parte das recusas deve-se à história, não aos papéis. Mas um envio fraco pode impedir que alguém chegue a olhar para a história. Estes erros são fáceis de detetar com algum distanciamento:
- Ignorar as normas. Enviar dez páginas de sinopse quando se pediam 300 palavras mostra que não as leu.
- Nomes a mais. Nomeie só as personagens que fazem avançar o enredo. Descreva as outras pela função, como «o chefe dela» ou «o comissário».
- Tema em vez de acontecimentos. Frases sobre culpa, amor ou identidade não substituem o que acontece. Mostre os acontecimentos e o tema surge por si.
- Um primeiro volume sem final. O primeiro livro de uma série prevista deve ter um arco completo. Refira o potencial de série numa única linha da carta.
- Comparações erradas. Escolha títulos recentes do seu género, não clássicos nem fenómenos de vendas. As comparações mostram em que prateleira o livro ficaria, não o êxito que espera ter.
- Envios em massa visíveis. Uma carta claramente enviada a toda a gente raramente é lida com atenção.
Antes de carregar em enviar
- Normas de envio da editora lidas e cumpridas
- Carta de apresentação numa página, dirigida à editora certa
- Sinopse com a história completa, final incluído
- Sinopse no presente e na terceira pessoa, na extensão pedida
- Manuscrito completo ou amostra desde o início, conforme o pedido
- Extensão indicada na unidade pedida, arredondada
- Nome e contactos onde a editora os pede
Perguntas frequentes
A sinopse deve revelar o final?
Sim. A editora precisa de avaliar se a história funciona. Uma sinopse que esconde o final dá a entender que nem o autor o resolveu.
Que extensão deve ter uma sinopse?
Depende da editora: umas pedem até 300 palavras, alguns prémios fixam um máximo em caracteres, e sem indicação uma página chega. Siga à letra as normas de cada uma.
Posso enviar o romance antes de o terminar?
Na ficção, e sobretudo num primeiro romance, as editoras esperam um manuscrito completo e revisto. Várias só avaliam textos completos. A não ficção funciona de outra maneira e é muitas vezes proposta com base num projeto.
Capítulo VI: Visibilidade e alcance
Como os leitores encontram o seu livro: site de autor, séries, críticas e quanto um livro rende de facto.
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