A revista para autores
Capítulo I: Ofício e prática
Da primeira frase ao manuscrito pronto: ferramentas, hábitos e a forma em que um texto chega à mesa de uma editora.
6 artigos
- Que programa de escrita escolher para escrever um livroUm romance é um texto com que se convive durante meses, por vezes anos. O que um programa de escrita tem de fazer por um projeto desta dimensão, como se distinguem as ferramentas mais conhecidas e como escolher sem prender o seu manuscrito.7 min de leitura
- Como escrever o primeiro livro: da ideia ao primeiro rascunho completoA maioria dos primeiros romances não falha por falta de talento: fica parada a meio. Os princípios que o levam da primeira faísca a um primeiro rascunho completo, e porque acabar vale mais do que polir.6 min de leitura
- Formato de manuscrito: como apresentar e medir o seu romanceEm Portugal não existe uma «página padrão» oficial, mas as editoras e os prémios esperam um formato sóbrio e medem a extensão em caracteres com espaços ou em palavras. Como preparar o manuscrito, como calcular o seu tamanho e que erros evitar.5 min de leitura

- O que é um manuscrito? Significado, etapas e a versão para enviar às editorasDo primeiro rascunho às provas, o seu texto chama-se manuscrito, mas não é sempre a mesma coisa. O que a palavra significa, as etapas por que um manuscrito passa e o aspeto da versão que envia a uma editora ou a um prémio literário.6 min de leitura
- Como escrever um livro infantil: idades, extensão e ilustraçãoOs livros para crianças são curtos, mas não são fáceis. Que formatos servem cada idade, que extensão esperar, como texto e imagem trabalham juntos e o que verificar antes de enviar um original a uma editora infantojuvenil.6 min de leitura
- Como escrever fanfiction: ofício, comunidades e o caminho para uma obra originalPara muitos, a fanfiction é a porta de entrada na escrita, e uma ótima escola. O que o ofício exige, como funcionam as comunidades de fãs, o que convém saber sobre direitos de autor e como uma história de fã se pode tornar um romance original.6 min de leitura
Capítulo II: Dramaturgia e personagens
O que sustenta uma história: tensão, pontos de viragem e personagens cujos desejos movem o enredo.
3 artigos
- Como construir o enredo de um romance: métodos comprovados, lado a ladoEstrutura em três atos, jornada do herói, método do floco de neve, Save the Cat ou fichas de cena: o que cada método oferece, a quem serve e quanto planeamento um romance precisa realmente.6 min de leitura
- Ficha de personagem: como construir personagens com profundidadeUma boa ficha de personagem não é uma lista de cores de olhos e pratos preferidos. É uma ferramenta que gera história. O que deve conter, como se ligam desejo, ferida e necessidade, e como usar a ficha enquanto escreve.6 min de leitura
- O que é o enredo? A planta de construção de uma históriaO enredo não é apenas aquilo que acontece. Liga os acontecimentos por causa e efeito, move-os pelo conflito e organiza-os numa curva de tensão. De que é feito um enredo e como verificar se o seu se aguenta de pé.6 min de leitura
Ficha de personagem: como construir personagens com profundidade
Uma boa ficha de personagem não é uma lista de cores de olhos e pratos preferidos. É uma ferramenta que gera história. O que deve conter, como se ligam desejo, ferida e necessidade, e como usar a ficha enquanto escreve.
6 min de leitura · Atualizado em 23 de setembro de 2026
Os leitores perdoam muita coisa a um romance, mas raramente uma personagem em que não acreditam. Uma personagem credível age por razões que conseguimos seguir, mesmo quando não concordamos com elas. Surpreende-nos sem parecer arbitrária, e muda porque a história a obriga a mudar.
A ficha de personagem é o lugar onde se constrói essa pessoa. Muitos modelos que circulam na internet são questionários longos sobre altura, cor do cabelo e signo. Não há mal nenhum nisso, mas não cria profundidade. A profundidade nasce de perguntar o que move uma personagem e o que a trava.
Para que serve uma ficha de personagem
A ficha tem duas funções. Antes do rascunho, ajuda a conhecer a personagem o suficiente para prever como reagiria em qualquer cena. Durante a escrita, serve de consulta para evitar contradições: cor dos olhos, idade, irmãos, cicatrizes, a maneira de falar.
A ordem das perguntas importa. Os pormenores físicos podem ser acrescentados a qualquer momento. As perguntas interiores decidem que cenas vai escrever, e por isso vêm primeiro.
O que deve conter
| Área | Perguntas a responder |
|---|---|
| Dados básicos | Nome, idade, origem, profissão, papel na história |
| Aparência | O que se nota primeiro? Que pormenor mencionaria um desconhecido? |
| Desejo | O que persegue a personagem, conscientemente, nesta história? |
| Ferida | Que acontecimento do passado ainda a marca? |
| A mentira | Que crença falsa tirou dessa ferida? |
| Necessidade | O que tem de perceber ou mudar para ficar inteira? |
| Voz | Como fala? Que palavras usa, e quais nunca usaria? |
| Relações | Em quem confia, de quem tem medo, a quem deve alguma coisa? |
| Contradições | Onde age contra a imagem que tem de si própria? |
Desejo, ferida e necessidade
Estas três ideias estão no centro de qualquer ficha de personagem. Juntas produzem o arco da personagem: a mudança interior da primeira à última página.
- O desejo é o que a personagem persegue conscientemente: apanhar o assassino, salvar a empresa, reconquistar uma irmã afastada. É ele que move o enredo exterior.
- A ferida é uma lesão antiga em torno da qual a personagem ergueu defesas. Muitas vezes gera uma crença falsa, por vezes chamada a mentira, sobre si mesma ou sobre o mundo, como: quem conta com alguém acaba abandonado.
- A necessidade é aquilo de que a personagem precisa realmente, em geral sem o saber. Vai muitas vezes contra o desejo ou contra a mentira.
Nem todas as personagens têm de mudar. Há romances fortes com uma personagem firme que muda o mundo à sua volta, e outros com uma personagem que não consegue superar a ferida. A ficha continua a ajudar: mostra que mudança está a recusar e porquê.
Encontrar a voz da personagem
Uma personagem com profundidade não soa a mais ninguém. Isso nota-se menos em tiques ruidosos do que em coisas pequenas: o comprimento das frases, o vocabulário, o que diz em voz alta e o que cala. Uma cirurgiã descreve uma ferida de maneira diferente de uma criança; uma personagem do Porto não pragueja como uma de Lisboa ou do Alentejo.
Anote na ficha algumas expressões típicas, e também palavras que a personagem nunca usaria. Um teste fiável: tape as indicações de quem fala num diálogo. Se continuar a perceber quem está a falar, as suas personagens têm voz própria.
Relações e antagonistas
As personagens revelam-se no contacto com os outros. Para cada relação importante, anote o que une as duas personagens e o que se interpõe entre elas. As personagens secundárias mais produtivas encarnam a necessidade da protagonista ou confirmam a sua mentira.
O antagonista também merece uma ficha completa. Um adversário com um desejo compreensível e uma ferida própria ameaça mais do que um vilão de cartão, porque percebemos por que razão não vai recuar. Para ver como estes conflitos se combinam numa estrutura que funciona, leia O que é o enredo?.
Usar a ficha enquanto escreve
Uma ficha não é um formulário que se preenche uma vez e se arquiva. Mostra o seu valor durante a escrita e a revisão:
- Antes de uma cena: o que quer a personagem aqui, e como é que a cena carrega na ferida?
- Nos momentos de decisão: esta personagem faria mesmo isto, ou está a fazê-lo porque o enredo precisa?
- Na revisão: a aparência, a idade e os antecedentes batem certo em todos os capítulos?
- Depois do rascunho: atualize a ficha. As personagens mudam enquanto escreve, e a ficha deve mostrar quem se tornaram.
Erros comuns
- A ficha como currículo. Páginas de biografia com notas da escola e filmes preferidos dão sensação de trabalho, mas raramente geram uma única cena. Para cada entrada, pergunte se poderia desencadear ação.
- A personagem sem defeitos. Um herói sem fraquezas não tem nada para superar. A ferida e a mentira não são falhas do seu projeto; são o seu motor.
- Antecedentes no primeiro capítulo. O que vive na ficha não pertence às primeiras páginas. A ferida atinge com mais força quando se mostra primeiro no comportamento e só depois se explica.
- Todos soam iguais. Se todas as personagens usam as mesmas expressões que o narrador, a secção de voz das suas fichas está vazia.
- O antagonista sem ficha. Um vilão que só é mau porque o enredo o exige enfraquece também a protagonista, porque o herói mede-se pelo adversário.
A sua ficha está pronta quando
- o desejo da personagem cabe numa frase
- a ferida e a mentira que ela criou têm nome
- a necessidade puxa contra o desejo ou contra a mentira
- conhece duas ou três frases que só esta personagem diria
- as relações principais estão anotadas, com a sua tensão
- o antagonista tem um objetivo próprio
Perguntas frequentes
Que nível de pormenor deve ter uma ficha de personagem?
O que lhe for útil. As personagens principais ganham com uma ficha completa sobre desejo, ferida, necessidade, voz e relações; as secundárias precisam muitas vezes de apenas algumas linhas.
Devo fazer as fichas antes ou depois do primeiro rascunho?
As duas coisas funcionam. Quem planeia costuma fazê-las primeiro. Quem descobre a história a escrever preenche-as muitas vezes durante ou depois do rascunho e usa-as na revisão.
Qual é a diferença entre o desejo e a necessidade de uma personagem?
O desejo é o que a personagem persegue conscientemente. A necessidade é aquilo de que realmente precisa, muitas vezes sem o perceber. A tensão entre os dois move o arco da personagem.
Capítulo III: Mundos literários
As leis de cada género, do thriller ao livro infantil, e quando vale a pena quebrá-las de propósito.
3 artigos



- Policial ou thriller: qual é a diferença?Partilham muitas vezes a mesma estante, mas o policial e o thriller criam tensão de maneiras diferentes: um com um enigma, o outro com uma ameaça. Como os dois géneros diferem na estrutura, no ponto de vista e no ritmo, e que subgéneros pertencem a cada um.6 min de leitura
- Géneros literários: um panorama para autoras e autoresDo romance de amor à ficção científica, do policial ao romantasy: os grandes géneros da ficção e os seus subgéneros, a diferença entre género e público, e porque é que a classificação certa pesa tanto junto da editora, da livraria e das lojas online.6 min de leitura
- Como escrever dark romance: convenções, expectativas dos leitores e ofício responsávelO dark romance junta uma história de amor a temas sombrios, personagens moralmente ambíguas e momentos deliberadamente perturbadores. O que define o subgénero, o que esperam os leitores e como tratar com cuidado os avisos de conteúdo, o enquadramento e as regras das plataformas.7 min de leitura
Capítulo IV: Estética do livro e paginação
Mancha gráfica, tipografia e capa: o que torna um livro valioso nas mãos antes de se ler a primeira linha.
2 artigos
- Como criar a capa de um livro: género, tipografia e ficheiros de impressãoA capa decide se alguém chega sequer a clicar no seu livro. Como enviar os sinais de género certos, manter o título legível em miniatura, preparar corretamente as capas de e-book e de impressão e não tropeçar nos direitos de imagem.7 min de leitura
- O livro em brochura: formato, encadernação e impressão bem planeadosAntes de o seu livro em brochura poder ser impresso, o formato, o papel, as margens e a capa têm de encaixar. Os formatos habituais, a forma como o número de páginas determina a largura da lombada e aquilo de que depende o custo de impressão.7 min de leitura
Capítulo V: O caminho até ao leitor
Sinopse, editora ou autopublicação: os caminhos do manuscrito ao livro e o que cada um exige.
3 artigos

- Como publicar um livro: os caminhos do manuscrito até à livrariaEditora, pequena editora independente, autopublicação ou serviço pago: cada caminho até ao livro publicado tem as suas vantagens, custos e prazos. Um panorama sóbrio para escolher o que serve o seu manuscrito e reconhecer as ofertas que lhe custam sem o servir.7 min de leitura
- Publicar na Amazon KDP: e-book e brochura, passo a passoO Kindle Direct Publishing é o primeiro caminho para o mercado de muitos autores que se autopublicam. Como configurar a conta e os dados fiscais, escolher metadados e categorias, perceber preços e direitos, e preparar os ficheiros de impressão.7 min de leitura
- Como escrever uma sinopse (e o resto do envio à editora)Com a carta de apresentação, a sinopse e o manuscrito ou uma amostra, a editora decide se vale a pena ler o seu romance com atenção. O que entra em cada peça, que extensão pedem as editoras portuguesas e os erros que levam a uma recusa rápida.6 min de leitura
Capítulo VI: Visibilidade e alcance
Como os leitores encontram o seu livro: site de autor, séries, críticas e quanto um livro rende de facto.
3 artigos


- Marketing literário para autores: o que resulta de factoO marketing começa na capa e no texto da contracapa, não no dia do lançamento. Um guia sem ilusões sobre leitores, newsletter, redes sociais, opiniões, livrarias, feiras do livro e séries.7 min de leitura
- Como criar um site de autor: domínio, páginas e informações obrigatóriasO seu site é o único lugar na internet que lhe pertence por inteiro. Que páginas precisa, o que procuram leitores e imprensa, e as regras de informação e privacidade a conhecer em Portugal antes de o pôr online.7 min de leitura
- Quanto ganha um escritor por livro? Direitos de autor, adiantamentos e contas reaisDireitos de autor, adiantamento, royalties: o que lhe chega do preço de um livro depende do caminho até ao leitor. Contas para a edição tradicional e para a autopublicação, direitos derivados e os custos que se esquecem.7 min de leitura
